




«A rapariga e a mulher, neste seu novo e próprio desenvolvimento, imitarão o jeito e os vícios dos homens e copiarão as profissões masculinas apenas por algum tempo. Uma vez vencida a insegurança destas transições, ver-se-á que esta multiplicação e constante mudança de disfarces (quantas vezes ridículos) ajudarão as mulheres a depurarem a sua natureza das influências desfiguradoras do outro sexo. As mulheres, em que a vida mora e perdura de maneira mais imediata, fértil e confiada, ter-se-ão no fundo tornado pessoas mais amadurecidas, pessoas mais humanas, quando comparadas com a leveza do homem, que é incapaz de penetrar a superfície da vida com o peso de um fruto carregado no ventre, que é demasiado petulante e precipitado para dar valor ao que julga amar. Esta humanidade da mulher, moldada pela dor e pela humilhação, será trazida à luz do dia quando ela se despir das convenções da feminilidade estrita, ao longo das metamorfoses da sua condição exterior, e os homens, que hoje não pressentem ainda esta mudança, serão surpreendidos e abalados por ela. Chegará o dia (e nos países nórdicos temos já sinais evidentes que anunciam e iluminam este dia) em que surgirão a rapariga e a mulher cujo nome já não designa nada que se oponha ao ser masculino, mas antes qualquer coisa que existe para si, qualquer coisa que não fará pensar em complemento ou limite, mas apenas na vida e na presença no mundo: o ser humano feminino.


De mim não aprendereis filosofia, mas antes como filosofar, não aprendereis pensamentos para repetir, mas antes como pensar.
Quando o tempo me houver trazido esse momento,
«Falar é o modo mais simples de nos tornarmos desconhecidos. E esse modo imoral e hipócrita de falar a que se chama escrever, mais completamente nos vela aos outros e àquela espécie de outros a que a nossa inconsciência chama nós-próprios. Por isso, se escrever, no sentido de escrever para dizer qualquer cousa, é acto que tem um cunho de mentira e de vício, criticar as cousas escritas não deixa de ter um correpondente aspecto de curiosidade mórbida ou de futilidade perversa. E, quando a crítica é escrita também, requinta-se para repugnante a sua imoralidade essencial. Pega-se-lhe a doença do criticado - o facto de existir escrito.
O Professor Universitário Michael Schudson, americano, sociólogo e historiador de jornalismo, foi ontem o convidado de Carlos Vaz Marques, e, para início da conversa, disse: o pior que pode acontecer aos jornalistas é a autocomplacência.
Vós, diz Cristo Senhor nosso, falando com os Pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhe sal da terra, porque quer que façam na terra, o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os Pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhe dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os Pregadores dizem uma coisa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os Pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal. (...)
O sábio como astrónomo. - Enquanto sentires as estrelas como algo que está «por cima de ti», não possuis ainda o olhar de quem procura o conhecimento.Não é a intensidade dos sentimentos elevados que faz os homens superiores, mas a sua duração.
Em tempo de paz, o homem belicoso ataca-se a si próprio.
Quem se despreza a si próprio, mesmo assim não deixa de se respeitar como desprezador.
Quem, em prol da sua boa reputação, não se sacrificou já uma vez - a si próprio?
Na bonomia nada há de misantropia, mas, precisamente por isso, demasiado desprezo pelo homem.
Maturidade do homem: isto significa ter-se reencontrado a seriedade que se tinha nas brincadeiras da infância.
Ter-se vergonha da sua imoralidade: é um degrau na escada em cujo extremo se tem também vergonha da sua moralidade.
Devemo-nos despedir da vida como Ulisses se despediu de Nausica - mais abençoando-a do que apaixonado por ela.
Quando adestramos a nossa consciência, ela beija-nos ao mesmo tempo que nos morde.
Graças à música, as paixões aprazem-se a si próprias.
Uma vez tomada a decisão de não dar ouvidos mesmo ao melhor contra-argumento: sinal de carácter forte. Por conseguinte, uma ocasional vontade de se ser estúpido.