quinta-feira, 11 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
Natália Correia - "No meu aniversário" (homenagem no 17.º aniversário da morte)
No meu aniversário
Já por cinquenta e tal esta jangada
Do corpo em águas negras abrevia
De Aqueronte a outra margem; e corada
De moça fica a alma à rebelia
.
Da ruga pelo tempo concertada.
Pede bengala a reuma? Assim a Pítia
Pede o tripé que só nele sentada
Inala os fumos da Sabedoria.
.
Amigos que ao fortuito aniversário,
Por édito de torto calendário,
Cinquenta e tal hortênsias me trazeis!
.
Pelos anos letais descendo as pernas,
Sobe a alma por louros às lanternas
Do canto que me furta a humanas leis.
.
(13/09/1923-10/03/1993)
.
De Poesia Completa, D. Quixote, 1999
sábado, 6 de março de 2010
Mário Pinto de Andrade - "O valioso tempo dos maduros"
sexta-feira, 5 de março de 2010
Comemorações do Dia Mundial da Poesia (15-21 Março)
Fonte: Mundo Pessoa
terça-feira, 2 de março de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Fernando Pessoa/ Álvaro de Campos - Aproveitar o tempo
Aproveitar o tempo!Mas o que é o tempo, que eu o aproveite?
Aproveitar o tempo!
Nenhum dia sem linha...
O trabalho honesto e superior...
O trabalho à Virgílio, à Milton...
Mas é tão difícil ser honesto ou superior!
É tão pouco provável ser Milton ou ser Virgílio!
.
Aproveitar o tempo!
Tirar da alma os bocados precisos - nem mais nem menos -
Para com eles juntar os cubos ajustados
Que fazem gravuras certas na história
(E estão certas também do lado de baixo que se não vê)...
Pôr as sensações em castelo de cartas, pobre China dos serões,
E os pensamentos em dominó, igual contra igual,
E a vontade em carambola difícil.
Imagens de jogos ou de paciências ou de passatempos -
Imagens da vida, imagens das vidas. Imagens da Vida.
.
Verbalismo...
Sim, verbalismo...
Aproveitar o tempo!
Não ter um minuto que o exame de consciência desconheça...
Não ter um acto indefinido nem factício...
Não ter um movimento desconforme com propósitos...
Boas maneiras da alma...
Elegância de persistir...
.
Aproveitar o tempo!
Meu coração está cansado como mendigo verdadeiro.
Meu cérebro está pronto como um fardo posto ao canto.
Meu canto (verbalismo!) está tal como está e é triste.
Aproveitar o tempo!
Desde que comecei a escrever passaram cinco minutos.
Aproveitei-os ou não?
Se não sei se os aproveitei, que saberei de outros minutos?!
.
(Passageira que viajaras tantas vezes no mesmo compartimento comigo
No comboio suburbano,
Chegaste a interessar-te por mim?
Aproveitei o tempo olhando para ti?
Qual foi o ritmo do nosso sossego no comboio andante?
Qual foi o entendimento que não chegámos a ter?
Qual foi a vida que houve nisto? Que foi isto a vida?)
.
Aproveitar o tempo!
Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!...
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,
A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses, no chão do Destino.
.
Poemas/ Álvaro de Campos
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
100.ª sessão das Quintas de Leitura amanhã no Porto

sábado, 20 de fevereiro de 2010
King Crimson - Song of the gulls
Pedro Jóia - Dança Palaciana
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Antero de Quental - "Mea Culpa"
Não duvido que o mundo no seu eixoGire suspenso e volva em harmonia;
Que o homem suba e vá da noite ao dia,
E o homem vá subindo insecto e seixo.
.
Não chamo a Deus tirano, nem me queixo,
Nem chamo ao céu da vida noite fria:
Não chamo à existência hora sombria;
Acaso, à ordem; nem à lei desleixo.
.
A Natureza é minha mãe ainda...
É minha mãe... Ah, se eu à face linda
Não sei sorrir; se estou desesperado;
.
Se nada há que me aqueça esta frieza;
Se estou cheio de fel e de tristeza...
É de crer que só eu seja o culpado!
sábado, 6 de fevereiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro - "A espantosa realidade das coisas"
A espantosa realidade das coisasquarta-feira, 27 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Fernando Pessoa/Ricardo Reis - "Quanta tristeza e amargura" e "Cada dia sem gozo não foi teu"
Quanta tristeza e amargurasegunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Fernando Pessoa/Ricardo Reis - "Da verdade não quero mais que a vida"
Sob a leve tutelaterça-feira, 19 de janeiro de 2010
Eugénio de Andrade - "A poesia não vai" (aniversário de nascimento do poeta)
A poesia não vai à missa,quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Fernando Pessoa/Álvaro de Campos - "Começo a conhecer-me. Não existo."
Começo a conhecer-me. Não existo.terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Esboço de quadra popular, com destinatário

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Natália Correia - "Verdadeira litania para os tempos da revolução"

Burgueses somos nós todos
ó literatos
burgueses somos nós todos
ratos e gatos
Mário Cesariny
Mário nós não somos todos burgueses
os gatos e os ratos se quiseres,
os literatos esses são franceses
e todos soletramos malmequeres.
Da vida o verbo intransitivo
não é burguês é ruim;
e eu que nas nuvens vivo
nuvens! O que direi de mim?
Burguês é esse menino extraordinário
que nasce todos os anos em Belém
e a poesia se não diz isto Mário
é burguesa também.
Burguês é o carro funerário.
Os mortos são naturalmente comunistas.
Nós não somos burgueses Mário
o que nós somos todos é sebastianistas.
.
de Poesia Completa, D. Quixote, 1999
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro - "A guerra que aflige com os seus esquadrões"
A guerra que aflige com os seus esquadrões o Mundo,sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Fernando Pessoa - "Catolicismo e comunismo"

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Fernando Pessoa - "O conceito de nós próprios"

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Fernando Pessoa/Álvaro de Campos - "Às vezes tenho ideias felizes"
Às vezes tenho ideias felizes,terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro - "Não tenho pressa" e "Sempre que penso uma coisa, traio-a"

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro - "O Mundo não se fez para pensarmos nele"
O meu olhar é nítido como um girassol.Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
.
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
.
Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
.
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
.
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
.
(de O Guardador de Rebanhos/Alberto Caeiro)




