terça-feira, 29 de junho de 2010
Festival ao Largo - Ano II (até 27 de Julho)
Este ano disponibilizaram também este pequeno vídeo promocional:
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Fernando Pessoa/ Álvaro de Campos (Se te queres matar, por que não te queres matar?)
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Leitura integral de "O Ano da Morte de Ricardo Reis", dia 25, na Casa Fernando Pessoa
domingo, 20 de junho de 2010
Rodrigo Leão - "Voltar"
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Ciclo de Bach a Kurtág - Nas Fronteiras da Clareza (CCB 17 a 20 de Junho)
O Ciclo de Bach a Kurtág, Nas Fronteiras da Clareza, tem início hoje e termina no dia 20 de Junho, no CCB em Lisboa e toda a programação pode ser encontrada AQUIquarta-feira, 16 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
Fernando Pessoa/ Álvaro de Campos - "Aniversário" - (13/06/1888)
sábado, 12 de junho de 2010
Rodrigo Leão - "Ave Mundi"
quarta-feira, 9 de junho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
Ana Moura - "Leva-me aos Fados"
Nota: troquei de vídeo porque o anterior estava a apresentar problemas de resolução.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Bertolt Brecht - "De que serve a bondade?"
domingo, 30 de maio de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Feira do Livro Manuseado
terça-feira, 25 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
Fernando Pessoa/ Ricardo Reis - "Sê rei de ti próprio"
quarta-feira, 19 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
Bach - "Air" Orchestral Suite N.º 3 in D Major
sábado, 8 de maio de 2010
Eugénio de Andrade - "No meu desejo"
sábado, 1 de maio de 2010
Fernando Pessoa/ Álvaro de Campos - Não estou pensando em nada
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Fernando Pessoa/ Ricardo Reis - "O que sentimos é o que temos"
terça-feira, 20 de abril de 2010
Dias da Música no CCB
domingo, 11 de abril de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
Fernando Pessoa/ Álvaro de Campos - Encostei-me
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Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na ideia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.
.
Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.
.
Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos -
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.
.
Poemas/ Álvaro de Campos
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Fernando Pessoa/ Ricardo Reis - "O passado é o presente na lembrança"
Se recordo quem fui, outrem me vejo,E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por detrás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
Que quem sou e quem fui
São sonhos diferentes.
.
Odes/ Ricardo Reis
sábado, 27 de março de 2010
Marguerite Yourcenar - Sequência de Páscoa: uma das mais belas histórias do mundo
Deixo por momentos ao menos as cerimónias e os ritos da mais santa das semanas cristãs e tento extrair dos textos sagrados que se lêem mas nem sempre se ouvem, na igreja, as partes que nos impressionariam se as encontrássemos em Dostoievski ou Tolstoi, ou em qualquer biografia ou reportagem sobre a vida de um grande homem ou de uma grande vítima. Em suma, o desenrolar de uma das mais belas histórias do mundo.
Um prólogo quase irónico: uma pobre gente chega à capital com o seu mestre bem-amado, aclamado pela mesma multidão que em breve o repudiará. Uma refeição de festa frugal: um traidor adivinhado entre os doze convivas; um ingénuo que proclama alto a sua fidelidade e será o primeiro a fraquejar; o mais jovem e mais amado apoiado com indolência ao ombro do mestre, talvez envolto naquele casulo dourado que sempre protege a juventude; o mestre, isolado, pela sabedoria e pela visão, no meio dos ignorantes e dos fracos que são o que ele encontrou de melhor para o seguirem e continuarem a sua obra.
Caída a noite, o mestre, ainda mais só no canto de um pomar que domina a cidade onde todos, excepto os seus inimigos, o esqueceram: as longas horas negras onde a presciência se convola em angústia; a vítima a rezar para que a prova esperada lhe seja poupada, mas sabendo que o não pode ser e também que, «se tivesse de o refazer», faria o mesmo caminho; «a alma eterna» que observa o seu voto «apesar da solidão da noite». (Que Aragon e Rimbaud nos ajudem a compreender Marcos ou João). Enquanto ele sofre, os seus amigos dormem, incapazes de compreender a urgência do momento. «Não podeis vigiar um momento comigo»? Não: eles não podem; eles têm sono; e aquele que os chama não ignora que virá o tempo em que estes infelizes terão também de sofrer e vigiar.
A chegada do bando, para prender o acusado. O ardente defensor que se arrisca a piorar as coisas e se desdirá logo a seguir. Os dois aparelhos, o eclesiástico e o laico, incomodados, passando-se mutuamente o acusado; o eterno diálogo da fé e do cepticismo completando-se um ao outro: «Quem ama a verdade escuta-me.» - «O que é a verdade?» O alto funcionário ultrapassado que gostaria bem de lavar as mãos deste caso e entrega à multidão a escolha do preso a libertar para a festa próxima, e o que ela escolhe é evidentemente a vedeta do crime, e não o justo inocente. O condenado, insultado, flagelado, atormentado, por brutamontes que são provavelmente bons pais de família, bons vizinhos, boas pessoas, obrigado a arrastar a trave do seu martírio como, nos campos, por vezes os prisioneiros arrastavam uma pá para cavar a sepultura. O pequeno grupo de amigos que ficou com o supliciado, aceitando a humilhação e o perigo que decorrem da fidelidade. A algazarra dos guardas que disputam entre si a túnica esvaziada, como em tempo de guerra os camaradas de um morto lutam às vezes por um cinturão ou por umas botas.
A ternura revelando-se nas recomendações aos seus, por parte de alguém até então demasiado absorvido pela sua missão para ter tempo de pensar neles: o moribundo dando como filho à sua mãe o seu melhor amigo. (Assim hoje por toda a parte as últimas cartas de condenados ou soldados partindo em missão de que não voltarão, cheias de conselhos sobre o casamento da irmã ou a pensão da velha mãe.) A troca de palavras com um condenado de delito comum em quem se encontrou um homem de coração; a longa agonia ao sol, ao vento agreste, à vista da multidão que, pouco a pouco, se vai porque aquilo nunca mais acaba. A exclamação parece indicar que, para que tudo se cumpra, o desespero é um estado por que se tem de passar. «Porque me abandonaste?» E, horas depois, a esta pobre gente será dada como esmola uma sepultura para o seu corpo, e as sentinelas (há que desconfiar dos ajuntamentos) dormirão ao pé do muro como antes dormiram junto do amigo vivo e angustiado os seus humildes companheiros fatigados.
E que mais? As horas, os dias, as semanas que escorrem entre o luto e a confiança, entre fantasmas e Deus, nessa atmosfera crepuscular onde nada é totalmente confirmado, verificado, concludente, mas onde passa a corrente de ar do inexplicável, como alguns desses pobres relatórios de sociedades para o avanço das ciências psíquicas, tanto mais perturbantes quanto são inconclusivos. A antiga meretriz vinda ao cemitério rezar e chorar e julgando reconhecer aquele que perdeu no jardineiro. (Que melhor nome poderia dar-se àquele que faz crescer tantas sementes na alma humana?) E mais tarde, quando a emoção, como dizem os relatórios de polícia, acalmou, os dois fiéis pela rua fora, a quem se junta um simpático viajante que aceita sentar-se com eles à mesa da hospedaria, e desaparece no momento em que eles julgam reconhecê-lo. Uma das mais belas histórias do mundo termina com os reflexos de uma Presença, bastante semelhantes a nuvens que o Sol já posto ainda ilumina.
«Eu sentir-me-ía mais perto de Jesus se ele tivesse sido fuzilado em vez de crucificado», dizia-me um dia um jovem oficial vindo da Guerra da Coreia. Foi para ele e para todos aqueles a quem é difícil encontrar o essencial por baixo dos acessórios do passado que aceitei o risco de escrever o que precede. (1977)
de O tempo esse grande escultor, Difel, Lisboa, 1984, p. 107
terça-feira, 23 de março de 2010
Fernando Pessoa/ Bernardo Soares - "Que me pesa que ninguém leia o que escrevo?"
Que me pesa que ninguém leia o que escrevo? Escrevo-me para me distrair de viver, e publico-me porque o jogo tem essa regra. Se amanhã se perdessem todos os meus escritos, teria pena, mas, creio bem, não com pena violenta e louca como seria de supor, pois que em tudo isso ia toda a minha vida. Não é certo, pois, que a mãe, morto o filho, meses depois já ri e é a mesma. A grande terra que serve os mortos serviria, menos maternalmente, esses papéis. Tudo não importa e creio bem que houve quem visse a vida sem uma grande paciência para essa criança acordada e com grande desejo do sossego de quando ela, enfim, se tinha ido deitar..
de Livro do Desassossego, texto 118, ou p. 129 da 3.ª edição da Assírio & Alvim
sábado, 20 de março de 2010
Vivaldi - Spring (Four Seasons)
domingo, 14 de março de 2010
Fernando Pessoa/ Ricardo Reis - "Põe quanto és no mínimo que fazes"
quinta-feira, 11 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
Natália Correia - "No meu aniversário" (homenagem no 17.º aniversário da morte)
No meu aniversário
Já por cinquenta e tal esta jangada
Do corpo em águas negras abrevia
De Aqueronte a outra margem; e corada
De moça fica a alma à rebelia
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Da ruga pelo tempo concertada.
Pede bengala a reuma? Assim a Pítia
Pede o tripé que só nele sentada
Inala os fumos da Sabedoria.
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Amigos que ao fortuito aniversário,
Por édito de torto calendário,
Cinquenta e tal hortênsias me trazeis!
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Pelos anos letais descendo as pernas,
Sobe a alma por louros às lanternas
Do canto que me furta a humanas leis.
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(13/09/1923-10/03/1993)
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De Poesia Completa, D. Quixote, 1999


















