quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Eduarda Costa Ferraz - Exposição de Pintura "Horizontes Perdidos" entre 1 e 31 de Outubro


CONVITE
" Horizontes Perdidos" – Pintura de Eduarda Costa Ferraz, inauguração dia 1 de Outubro, Dia Mundial da Música, pelas 19h00, Cocktail e Fados na voz de António Pinto Coelho – Hotel Inglaterra no Estoril


Paisagens, pessoas e animais,
Amores, amizades e afectos,
Cores, ideias e ideais,
Ganham forma, surgem projectos.
 Nos horizontes da imaginação...
Em que nada se perdia...
Cada um com a sua missão...
Levava uma carta a Garcia...

Nesta exposição são apresentadas cerca de 40 obras, em acrílico sobre tela. Eduarda Costa Ferraz nasceu em Angola. Vive e trabalha no Estoril. Artista plástica, leccionou educação visual e desenho.
Exposição patente até 31 de Outubro no Hotel Inglaterra no Estoril, Rua do Porto, n.º 1 – 2765-271 Estoril, e on-line, com informações adicionais, em www.bestartis.pt/detalhe.aspx?ido=4092

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ainda Francisco Ribeiro - Desiderata

O trabalho que Francisco Ribeiro nos deixou,  depois de mais de uma década de reflexão e de procura de respostas para as suas interrogações, a que deu o título DESIDERATA, inspira-se num texto com o mesmo nome, atribuído a Max Ehrmann (1872-1945) e que aqui deixo em versão portuguesa:

DESIDERATA

Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa,
lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.
Tanto quanto possível sem humilhar-se,
mantenha-se em harmonia com todos os que o cercam.
Fale a sua verdade, clara e mansamente.
Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história.
Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito.
Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você: isso o tornaria superficial e amargo.
Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar.
Mantenha o interesse no seu trabalho, por mais humilde que seja,
ele é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos.
Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas.
Mas não fique cego para o bem que sempre existe.
Em toda a parte, a vida está cheia de heroísmo.
Seja você mesmo.
Sobretudo, não simule afeição e não transforme o amor numa brincadeira,
pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva.
Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos
e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.
Cultive a força do espírito e você estará preparado
para enfrentar as surpresas da sorte adversa.
Não se desespere com perigos imaginários:
muitos temores têm a sua origem no cansaço e na solidão.
Ao lado de uma sadia disciplina conserve,
para consigo mesmo, uma imensa bondade.
Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores,
você merece estar aqui e, mesmo se você não pode perceber,
a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.
Procure, pois, estar em paz com Deus,
seja qual for o nome que você lhe der.
No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida,
conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz.
Acima de toda a mesquinhez, falsidade e desengano,
o mundo ainda é bonito.
Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz
e partilhe com os outros a sua felicidade.


DESIDERATA – Do Latim Desideratu: Aquilo que se deseja, aspiração. Este texto é atribuído a Max Ehrmann (1872-1945) e foi registado pela primeira vez, por ele, em 1927.
Hoje em dia é do domínio público.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Fernando Pessoa/ Alberto Caeiro - "Quem ama é diferente de quem é"

Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações.
Não sei o que hei-de ser comigo sozinho.
Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo.

Quem ama é diferente de que é
É a mesma pessoa sem ninguém.


O Pastor Amoroso/ Alberto Caeiro

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Filme do Desassossego estreia a 29 de Setembro no CCB



O Filme do Desassossego, o mais recente projecto de João Botelho, já tem data de estreia. A 29 de Setembro a versão do Livro do Desassossego de Bernardo Soares, semi-heterónimo de Fernando Pessoa, apresenta-se no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, de onde, após mais três dias de exibição, a 1, 2 e 3 de Outubro, parte em digressão pelos cine-teatros de todo o país (nada da salas de cinema com pipocas). 

Protagonizada por Cláudio Silva, jovem actor dos palcos, a ficção onírica de Botelho sobre o livro de Bernardo Soares tem 60 actores, incluindo Alexandra Lencastre, Margarida Vila-Nova, Pedro Lamares e Rita Blanco.

A informação sobre horários e salas onde se apresenta no CCB está AQUI.


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Fernando Pessoa/ Alberto Caeiro - "Quando eu não te tinha"

Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor...
Tu não me tiraste a Natureza...
Tu mudaste a Natureza...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as coisas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

O Pastor Amoroso/ Alberto Caeiro

sábado, 21 de agosto de 2010

Fernando Pessoa/ Alberto Caeiro - "Amar é pensar"

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.

O Pastor Amoroso/ Alberto Caeiro

domingo, 15 de agosto de 2010

Charles Reznikoff - "TE DEUM"

TE DEUM

Not because of victories
I sing,
having none,
but for the common sunshine,
the breeze,
the largess of the spring.

Not for victory
but for the day´s work done
as well as I was able;
not for a seat upon the dais
but at the common table.

(1919)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fernando Pessoa/ Alberto Caeiro - "O amor é uma companhia"

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro/ O Pastor Amoroso

Nota: Quem me conhece um pouco, já deve ter-se apercebido que dei férias a Bernardo Soares e fiquei com o "Pastor Amoroso"/Alberto Caeiro para desanuviar...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Fernando Pessoa/ Alberto Caeiro - "Agora que sinto amor"

Agora que sinto amor
Tenho interesse no que cheira.
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia.
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.

.
Alberto Caeiro/ O Pastor Amoroso

segunda-feira, 19 de julho de 2010

The Lisbon Consortium - Mestrado e Doutoramento em "Estudos de Cultura" da FCH/ UCP

Estão abertas as inscrições para Mestrado e Doutoramento em Estudos de Cultura na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa,  em Lisboa, podendo ser consultadas as respectivas brochuras, em português e inglês, AQUI.
The Lisbon Consortium, ou Consórcio de Lisboa, é um programa de cooperação inovador e único no panorama português, com enfoque internacional, também AQUI.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vivaldi - "Winter" (Four Seasons)

A música e as imagens deste vídeo são tão belas, que não me importaria de ter sempre este Inverno.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Maria Bethânia na Casa Fernando Pessoa (21 Julho)

Maria Bethânia, na sua passagem pela Casa Fernando Pessoa no dia 21 de Julho, quarta-feira, às 17:30 h, irá ler poemas e textos de: Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Castro Alves, Sophia de Mello Breyner Andresen, Vinícius de Moraes, João Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Padre António Vieira, Clarice Lispector, Mário de Andrade, entre outros, leitura que será intercalada com canções quase "a capella". 
Como encontrei um vídeo onde declama "O Menino Jesus", de Alberto Caeiro, resolvi publicá-lo também para se ver a sua abordagem à poesia e podermos comparar com o nosso Mário Viegas.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Colóquio Internacional "Reading Ricoeur once again/ Relire Ricoeur à notre tour" (7 a 10 de Julho)

Na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, realiza-se nos dias 7 a 10 de Julho, na Avenida de Berna, 26-C, em Lisboa, Auditório 1 (Torre B, 1.º andar), um Colóquio Internacional sobre Paul Ricoeur, subordinado ao título "Reading Ricoeur once again: Hermeneutics and Practical Philosophy / Relire Ricoeur à notre tour: Herméneutique et Philosophie Pratique", com intervenções de especialistas na obra deste filósofo que se distinguiu especialmente na área da Filosofia Social e Política, e cuja informação está disponível AQUI, no caso de não ser completamente visível tudo o que está neste cartaz:

domingo, 4 de julho de 2010

Fernando Pessoa/ Bernardo Soares (...pompa de dor e de apagamento...)

Criei para mim, fausto de um opróbrio, uma pompa de dor e de apagamento. Não fiz da minha dor um poema, fiz dela, porém, um cortejo. E da janela para mim contemplo, espantado, os ocasos roxos, os crepúsculos vagos de dores sem razão, onde passam, nos cerimoniais do meu descaminho, os pajens, os palhaços da minha incompetência nativa para existir. A criança, que nada matou em mim, assiste ainda, de febre e fitas, ao circo que me dou. Ri dos palhaços, sem haver cá fora de circo; põe nos habilidosos e nos acrobatas olhos de quem vê ali toda a vida. E assim, sem alegria, mas contente, entre as quatro paredes do meu quarto dorme, por inocência, com o seu pobre papel feio e gasto, toda a angústia insuspeita de uma alma humana que transborda, todo o desespero sem remédio de um coração a quem Deus abandonou.
Caminho, não pelas ruas, mas através da minha dor. As casas alinhadas são os incompreendedores que me cercam, na alma; os meus passos soam no passeio como um dobre a finados, um ruído de espanto na noite, final como um recibo ou uma jaula.
Separo-me de mim e vejo que sou um fundo dum poço.
Morreu quem eu nunca fui. Esqueceu a Deus quem eu havia de ser. Só o interlúdio vazio.
Se eu fosse músico escreveria a minha marcha fúnebre, e com que razão a escreveria!

De Livro do Desassossego, Assírio & Alvim, 3.ª edição, 2008, pp. 325/6 (texto 401)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sugestão invulgar

Tenho recebido, esporadicamente, pedidos para publicar algumas das minhas respostas a comentários que, segundo a opinião de quem faz esses pedidos, constituem uma mais-valia, quer para o esclarecimento, quer para reflexão.
Pensando um pouco no assunto, concluí que essas respostas só fazem sentido enquadradas com o comentário recebido, e ambos no contexto do que publiquei e que os originou. Por outro lado, e não menos importante, essas minhas respostas mais longas, sobre assuntos mais sérios, são todas elas personalizadas, procurando as palavras adequadas a cada pessoa que me interpela, como se mais ninguém estivesse a ler ou viesse a ler, e essa partilha quase "privada" creio que está nos lugares certos - as caixas de comentários, onde só acedem as pessoas realmente interessadas em ler o que os outros têm a dizer sobre determinado assunto.
Embora já tenha agradecido individualmente a sugestão, renovo aqui o agradecimento e, também, o facto de me terem obrigado a reflectir sobre o assunto.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Festival ao Largo - Ano II (até 27 de Julho)

Pelo segundo ano, está a decorrer e prosseguirá até ao dia 27 de Julho, O Festival ao Largo, precisamente no largo em frente ao Teatro de São Carlos em Lisboa, com uma programação muito extensa e variada que pode ser consultada AQUI.
Este ano disponibilizaram também este pequeno vídeo promocional: