terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
Fernando Pessoa/ Ricardo Reis: "Não sei se é amor que tens, ou amor que finges"
Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu jovem por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva
É verdadeira. Aceito,
Cerro os olhos: é bastante.
Que mais quero?
Etiquetas:
Cultura,
Fernando Pessoa,
Leituras,
Literatura,
Livros,
Não sei se é amor que tens ou amor que finges,
Poesia,
Ricardo Reis
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
William Ernest Henley: Invictus
Out of the night that covers me
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
William Ernest Henley (1849-1903)
Nota: Este é o poema que Nelson Mandela lia diariamente durante o seu cativeiro.
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
William Ernest Henley (1849-1903)
Nota: Este é o poema que Nelson Mandela lia diariamente durante o seu cativeiro.
sábado, 14 de janeiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Sophia de Mello Breyner Andresen: "Bebido o luar"
Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Etiquetas:
Bebido o luar,
Cultura,
Eurico Carrapatoso,
Leituras,
Literatura,
Livros,
Música,
Pequeno poemário de Sophia,
Poesia,
Sophia M.B. Andresen
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Eugénio de Andrade - As palavras
São como cristal,as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Ana Hatherly, A história do mundo
A história do mundo
é uma autobiografia inventada
é a história
dum Paraíso desencontrado
dum velho-novo-mundo
pr'a sempre ultrajado
p'la enorme cintilação do oiro
Ah
como é desigual
a viagem da descoberta!
Entre a cópia e a falta
ante o vexame do despenho
uma pergunta maléfica nos assalta:
Que fazer?
A alma
não tem que fazer nada
dizia um célebre quietista...
Ana Hatherly
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Carlos Drummond de Andrade, Estrambote melancólico
Tenho saudade de mim mesmo,
saudade sob aparência de remorso,
de tanto que não fui, a sós, a esmo,
e de minha alta ausência em meu redor.
Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
e tenho muitos outros sentimentos
violentos. Mas se esquivam no inventário,
e meu amor é triste como é vário,
e sendo vário é um só. Tenho carinho
por toda perda minha na corrente
que de mortos a vivos me carreia
e a mortos restitui o que era deles
mas em mim se guardava. A estrela-d’alva
penetra longamente seu espinho
(e cinco espinhos são) na minha mão.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
In Um eu todo retorcido, Antologia Poética, Círculo de Leitores, Lisboa, 2003
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
Ana Hatherly, "O poeta não quer duplicar o mundo"
O poeta não quer duplicar o mundo
não quer fazer dele uma cópia:
Luta com a palavra
como Jacob lutou com o anjo
mas a escada que ele sobe
conduz a outras alturas
a outras planuras
É assim que o poeta
palavra por palavra
como pedra sobre pedra
constrói o edifício do poema
E a sua mão
robótico instrumento comandado
pela algébrica lógica do sentido oculto
produz
deve produzir
o que o mundo não tem
o que o mundo não diz
o que o mundo não é.
Ana Hatherly
in A Idade da Escrita
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
sábado, 3 de dezembro de 2011
"RECOMEÇAR", de Drummond ou de Gaefke?
No mundo maravilhoso da Internet, por vezes deparamo-nos com coisas como esta: uns atribuem a autoria deste texto a Carlos Drummond de Andrade, outros a Paulo Roberto Gaefke, mencionando até o livro “Decidi ser Feliz” onde Gaefke o terá publicado. Ora, como o nome do livro, e o próprio texto, podem indicar aquele tipo de literatura de auto-ajuda/ reflexão, que, confesso, desconheço em Drummond de Andrade, seria bom se alguém conseguisse dizer-me o nome do livro, e outras referências, onde Drummond o terá publicado, pois só com estes elementos poderei desfazer qualquer equívoco. A única frase que tem autor certo é a última, pois é do nosso Fernando Pessoa/ Alberto Caeiro e está devidamente entre aspas.
RECOMEÇAR
Não importa aonde você parou...
Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar".
Recomeçar é dar uma chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e o mais importante...
Acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado...
Chorou muito?
Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes?
É porque você fechou as portas até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da sua melhora...
Pois é...
Agora é hora de reiniciar...
De pensar na luz...
De encontrar prazer nas coisas mais simples de novo...
Que tal um novo emprego?
Um corte de cabelo arrojado...
Diferente?
Um novo curso...
Ou aquele velho desejo de aprender a pintar...
Desenhar...
Dominar o computador...
Ou qualquer outra coisa...
Olha quanto desafio...
Quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus, o esperando.
Está se sentindo sozinho?
Besteira...
Tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento"...
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso seu para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza...
Nem nós mesmos nos suportamos...
Ficamos horríveis...
O mal humor vai comendo nosso fígado...
Até a boca fica amarga!
Recomeçar...
Hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar?
Ir alto...
Sonhe alto...
Queira o melhor do melhor...
Queira coisas boas para a vida...
Pensando assim trazemos para nós aquilo que desejamos...
Se pensamos pequeno...
Coisas pequenas teremos...
Já se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é o hoje o dia da faxina mental...
Joga fora tudo que te prende ao passado...
Ao mundinho de coisas tristes...
Fotos...
Peças de roupa, papel de bala...
Ingressos de cinema, bilhete de viagens...
E toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados...
Jogue tudo fora...
Mas, principalmente, esvazie seu coração...
Fique pronto para a vida...
Para um novo amor...
Lembre-se: somos apaixonáveis...
Somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes...
Afinal de contas...
Nós somos o "Amor".
"Sou do tamanho daquilo que vejo e não do tamanho da minha altura".
Etiquetas:
Alberto Caeiro,
autoria,
Carlos Drummond de Andrade,
Cultura,
Divulgação,
Fernando Pessoa,
Leituras,
Literatura,
Paulo Roberto Gaefke,
Recomeçar
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Herberto Helder, "Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos"
Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
detidos: hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado em cada espelho.
detidos: hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado em cada espelho.
O próprio movimento o entenebrece. Mas chamejam os lábios
dos animais. Deixarei as constelações panorâmicas destes dias
internos.
Vou morrer assim, arfando entre o mar fotográfico
e côncavo e as paredes com as pérolas afundadas.
dos animais. Deixarei as constelações panorâmicas destes dias
internos.
Vou morrer assim, arfando entre o mar fotográfico
e côncavo e as paredes com as pérolas afundadas.
E a lua desencadeia nas grutas o sangue que se agrava.
Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio que soprou nos estúdios cavados.
Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio que soprou nos estúdios cavados.
É a cólera que me leva aos precipícios de agosto, e a mansidão
traz-me às janelas. São únicas as colinas como o ar
palpitante fechado num espelho. É a estação dos planetas.
Cada dia é um abismo atómico.
E o leite faz-se tenro durante os eclipses.
traz-me às janelas. São únicas as colinas como o ar
palpitante fechado num espelho. É a estação dos planetas.
Cada dia é um abismo atómico.
E o leite faz-se tenro durante os eclipses.
Bate em mim cada pancada do pedreiro
que talha no calcário a rosa congenital.
A carne, asfixiam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.
É em nós que se encurva o nervo do arco
contra a flecha. Deus ataca-me na candura.
que talha no calcário a rosa congenital.
A carne, asfixiam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.
É em nós que se encurva o nervo do arco
contra a flecha. Deus ataca-me na candura.
Fica, fria, esta rede de jardins diante dos incêndios.
E uma criança dá a volta à noite, acesa completamente
pelas mãos.
Herberto Helder (nasceu a 23/11/1930)
pelas mãos.
Herberto Helder (nasceu a 23/11/1930)
in Cobra, Poesia Toda, Assírio & Alvim, 1979
sábado, 12 de novembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
No Fate, Poem for Peace de Maria Henriques
No fate no hate no war,no more dead children on the floorno more blood inside the silence of the dark holesno more dying women all alone. We need to have more PeaceAnd no more darknessnor hatenor war,let's create something newsome new souls;lets try to give our world much moreLove. But no more fateno hateno war.And no more dead children on the floor.Maria Henriques
Este poema foi enviado pela Maria Henriques ao “Poetry for Peace Contest”, organizado pelas Nações Unidas, cuja votação terminou a 14 de Outubro p.p., e que, gentilmente, me autorizou a publicá-lo aqui, o que mais uma vez agradeço, e que se encontra em: http://www.un.org/disarmament/special/poetryforpeace/poems/henriques/, esperando que os amigos Bloggers for Peace gostem como eu gostei.
Etiquetas:
#blog4peace,
#blogblast4peace,
Blogosfera,
Cidadania,
Cultura,
Ler os outros,
Literatura,
Maria Henriques,
No Fate,
ONU,
Paz,
Poem for Peace,
Poesia
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Fernando Pessoa/ Ricardo Reis - "Certeza única é o mal presente"
Pois que nada que dure, ou que, durando,
Valha, neste confuso mundo obramos,
E o mesmo útil para nós perdemos
Connosco, cedo, cedo.
O prazer do momento anteponhamos
À absurda cura do futuro, cuja
Certeza única é o mal presente
Com que o seu bem compramos.
Amanhã não existe. Meu somente
É o momento, eu só quem existe
Neste instante, que pode o derradeiro
Ser de quem finjo ser?
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
Mia Couto - "Ânsia"
Não me deixem tranquilo
não me guardem sossego
eu quero a ânsia da onda
o eterno rebentar da espuma
As horas são-me escassas:
dai-me o tempo
ainda que o não mereça
que eu quero
ter outra vez
idades que nunca tive
para ser sempre
eu e a vida
nesta dança desencontrada
como se de corpos
tivéssemos trocado
para morrer vivendo
Mia Couto, em Raiz de orvalho e outros poemas, Caminho, 2009 terça-feira, 13 de setembro de 2011
Natália Correia - Insónia (homenagem em dia de aniversário)
Insónia. Abro a janela. Esvaimento
No abismo da solidão estrelada.
É inquietante a paz e um sentimento
De hora nenhuma vai da lua ao nada.
Tem nisto um deus sinistro o instrumento
De submeter-me em morte figurada?
Silêncio astral. Estático tormento
No eterno insone que inspira a hora parada
Suga-me o sangue um polvo agonizante.
Marginam o pensamento delirante
Espectros de prostitutas na avenida.
Pesam as pálpebras. Apodrece a ideia
De adormecer. O dia já clareia
Num galho tenro da árvore da vida.
Natália Correia (13/09/1923-16/03/1993)
Em Poesia Completa, Dom Quixote, Lisboa, 1999
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
Antero de Quental - "A uma amiga" (18/04/1842 - 11/09/1891)
Aqueles, que eu amei, não sei que vento
Os dispersou no mundo, que os não vejo…
Estendo os braços e nas trevas beijo
Visões que à noite evoca o sentimento…
Outros me causam mais cruel tormento
Que a saudade dos mortos… que eu invejo…
Passam por mim, mas como que têm pejo
Da minha soledade e abatimento!
Daquela Primavera venturosa
Não resta uma flor só, uma só rosa…
Tudo o vento varreu, queimou o gelo!
Tu só foste fiel – tu, como dantes,
Inda volves teus olhos radiantes…
Para ver o meu mal… e escarnecê-lo!
Antero de Quental, Sonetos Completos, Europa-América
Subscrever:
Mensagens (Atom)











