sexta-feira, 18 de julho de 2014
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Livraria do Desassossego (2)
O escritor e editor norueguês Christian Kjelstrup, à
semelhança do que fez em Oslo, e de que dei conta aqui,
vai ter um espaço cedido pela loja A Vida Portuguesa, de Catarina Portas, na
Rua Anchieta, 11, em Lisboa, entre os dias 2 e 6 de Julho, onde venderá
exclusivamente o Livro do Desassossego de Fernando Pessoa/ Bernardo Soares. No último dia desta iniciativa, a Casa Fernando Pessoa
promoverá um serão de festa, poesia, cinema e música, com entrada gratuita, e
actuações de Maria do Céu Guerra, Diogo Infante, Rogério Godinho, Mafalda
Arnauth e João Afonso. Mas o ideal para ler tudo o que Christian
Kjelstrup nos tem a dizer sobre o sucesso desta sua iniciativa, tanto na Noruega
como a que agora espera para Lisboa, será seguir a página que abriu há poucos
dias no Facebook – Livraria do Desassossego.
Aproveito para informar que Christian Kjelstrup é um dos
convidados para o Colóquio
"Fernando Pessoa's English Poetry", que se realiza no dia 3 de Julho no auditório da Casa Fernando Pessoa. Entrada livre.
© Maria
Paias
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Fernando Pessoa's English Poetry,
Lisboa,
Livraria do Desassossego
quinta-feira, 19 de junho de 2014
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Fernando Pessoa/ Bernardo Soares, "Viver..."
Viver uma vida desapaixonada e culta, ao relento das ideias,
lendo, sonhando, e pensando em escrever, uma vida suficientemente lenta para
estar sempre à beira do tédio, bastante meditada para se nunca encontrar nele.
Viver essa vida longe das emoções e dos pensamentos, só no pensamento das emoções
e na emoção dos pensamentos. Estagnar ao sol, douradamente, como um lago
obscuro rodeado de flores. Ter, na sombra, aquela fidalguia da individualidade
que consiste em não insistir para nada com a vida. Ser no volteio dos mundos
como uma poeira de flores, que um vento incógnito ergue pelo ar da tarde, e o
torpor do anoitecer deixa baixar no lugar de acaso, indistinta entre coisas
maiores. Ser isto com um conhecimento seguro, nem alegre nem triste,
reconhecido ao sol do seu brilho e às estrelas do seu afastamento. Não ser
mais, não ter mais, não querer mais… A música do faminto, a canção do cego, a
relíquia do viandante incógnito, as passadas no deserto do camelo vazio sem destino…
Fernando Pessoa/
Bernardo Soares, in
Livro do Desassossego
(13/6/1888 – 30/11/1935)
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Luísa Amaro - ARGVS
A
compositora e intérprete Luísa Amaro apresentou o seu
novo trabalho "ARGVS", na semana passada, no Museu do Oriente, e, na
próxima semana, inserido na mostra "Olhares do Mediterrâneo", que vai
decorrer de 6 a 8 de Junho no Cinema São Jorge, em Lisboa, fará uma
nova apresentação no dia 7 de Junho, às 22h30, na Sala Montepio.
«Neste
novo trabalho, Luísa Amaro é acompanhada pelo português Gonçalo Lopes
(clarinetes), pelo italiano Enrico Bindocci (piano) e pela cantora cipriota Kyriacoula
Constantinou (prémio Anguissola-Scotti 2010 para música de câmara).
Depois
de “Meditherranios”, lançado em 2009, Luísa propõe neste trabalho uma “viagem
musical pelo grande mar interior da Antiguidade, ontem como hoje território de
cruzamento de culturas, trocas materiais e contrabando de sonhos, onde o
trânsito dos homens se funde com o pulsar dos mitos: simultaneamente fronteira
e ponto de contacto em que qualquer interrogação do passado é ainda uma
interpelação ao futuro da Europa. Neste período de incertezas e convulsões,
nada é mais actual que as temáticas mediterrânicas em que tão bem se entrosam
as identidades do Sul europeu”, pode ler-se em comunicado.»
Os
bilhetes para o concerto têm o custo de 10 euros e estão à venda na Ticketline
e no Cinema São Jorge.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
Livraria do Desassossego
«O escritor norueguês Christian Kjelstrup, que considera o
‘Livro do Desassossego’, de Fernando Pessoa, a melhor obra literária do mundo,
decidiu abrir hoje no centro de Oslo a Livraria do Desassossego, onde venderá
exclusivamente aquele livro.
Em
comunicado enviado à Lusa, a Casa Fernando Pessoa indica que Christian
Kjelstrup, grande admirador não só da obra do heterónimo pessoano Bernardo
Soares, como do resto da obra do escritor português, aproveitou a oportunidade
única de arrendar apenas por uma semana um espaço comercial no centro da
capital norueguesa para realizar aquele sonho antigo.
E,
para dar um ambiente português à nova livraria, contará, ao longo de toda a
semana, com a ajuda do emigrante português Joel Oliveira, que tocará, para os
visitantes, a sua guitarra portuguesa.
No
dia da inauguração, esta iniciativa do autor norueguês, que contou com o apoio
da Embaixada de Portugal em Oslo, é já um êxito, refere a Casa Fernando Pessoa,
tendo merecido uma reportagem no canal televisivo norueguês NRK, além de muitas
referências e elogios nas redes sociais, que ainda não pararam de divulgar a
'pop-up store' (nome dado às lojas com tempo de vida limitado).
Na
próxima segunda-feira, 31 de Março, decorrerá a ‘Noite de Pessoa’, a partir das
19h00 - um evento que contará com a participação de algumas personalidades da
cultura norueguesa.
A
Livraria do Desassossego terá as portas abertas apenas até 2 de Abril, de
segunda a sexta-feira das 09h00 às 16h00 e ao sábado das 12h00 às 15h00.
Além
do ‘Livro do Desassossego’, estão traduzidas em norueguês outras obras de
Pessoa, como ‘A Hora do Diabo’, ‘A Educação do Estóico’, ‘O Banqueiro
Anarquista’ e a Poesia do heterónimo Alberto Caeiro.»
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
sábado, 30 de novembro de 2013
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Rainer Maria Rilke, Day in Autumn
After the summer's yield, Lord, it is time
to let your shadow lengthen on the sundials
and in the pastures let the rough winds fly.
As for the final fruits, coax them to roundness.
Direct on them two days of warmer light
to hale them golden toward their term, and harry
the last few drops of sweetness through the wine.
Whoever's homeless now, will build no shelter;
who lives alone will live indefinitely so,
waking up to read a little, draft long letters,
and, along the city's avenues,
fitfully wander, when the wild leaves loosen.
Rainer Maria Rilke
(tradução de Mary Kinzie)
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Natália Correia, Da clara à negra ciência
Uma laranja cai
E o chão impede
Que ela infinitamente caia.
Impedimento
Ou o invento
De uma ciência
Que já foi gaya
E agora é triste-
mente astronómica.
Raios a partam
A bomba atómica!
Natália Correia, in Poesia Completa, Dom Quixote, Lisboa, 1999
Nota: lembrei-me deste poema para assinalar os 68 anos que decorreram desde o lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima (6/08/1945)
domingo, 28 de julho de 2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Fernando Pessoa/ Ricardo Reis, "Não só quem nos odeia ou nos inveja"
Não só quem
nos odeia ou nos inveja
Nos limita
e oprime; quem nos ama
Não menos
nos limita.
Que os
deuses me concedam que, despido
De afectos,
tenha a fria liberdade
Dos
píncaros sem nada.
Quem quer
pouco, tem tudo; quem quer nada
É livre;
quem não tem, e não deseja,
Homem, é
igual aos deuses.
Fernando Pessoa/ Ricardo Reis, Odes
(13/06/1888
– 30/11/1935)
domingo, 12 de maio de 2013
sábado, 27 de abril de 2013
Fernando Pessoa/ Alberto Caeiro, "Quem me dera..."
Quem me
dera que eu fosse o pó da estrada
E que os
pés dos pobres me estivessem pisando…
Quem me
dera que eu fosse os rios que correm
E as
lavadeiras estivessem à minha beira…
Quem me
dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse
só o céu por cima e a água por baixo…
Quem me
dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele
me batesse e me estimasse…
Antes isso
que ser o que atravessa a vida
Olhando
para trás de si e tendo pena…
Poema XVIII de O Guardador de
Rebanhos
terça-feira, 19 de março de 2013
Fernando Pessoa/ Alberto Caeiro, "Se eu pudesse..."
Se eu
pudesse trincar a terra toda
E
sentir-lhe um paladar,
E se a
terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais
feliz um momento…
Mas eu nem
sempre quero ser feliz.
É preciso
ser de vez em quando infeliz
Para se
poder ser natural…
Nem tudo é
dias de sol,
E a chuva,
quando falta muito, pede-se.
Por isso
tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente,
como quem não estranha
Que haja
montanhas e planícies
E que haja
rochedos e erva…
O que é
preciso é ser-se natural e calmo
Na
felicidade ou na infelicidade,
Sentir como
quem olha,
Pensar como
quem anda,
E quando se
vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o
poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e
assim seja…
(Poema XXI de O Guardador de Rebanhos)
sábado, 23 de fevereiro de 2013
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Fernando Pessoa, "A ciência de vencer"
Estão cheias as livrarias de todo o mundo de livros que
ensinam a vencer. Muitos deles contêm indicações interessantes, por vezes
aproveitáveis. Quase todos se reportam particularmente ao êxito material, o que
é explicável, pois é esse o que supremamente interessa à grande maioria dos
homens.
A ciência de vencer é, contudo, facílima de expor; em
aplicá-la, ou não, é que está o segredo do êxito ou a explicação da falta dele.
Para vencer – material ou imaterialmente – três coisas definíveis são precisas:
saber trabalhar, aproveitar oportunidades e criar relações. O resto pertence ao
elemento indefinível, mas real, a que, à falta de melhor nome, se chama sorte.
Não é o trabalho, mas o saber trabalhar, que é o segredo do êxito
no trabalho. Saber trabalhar quer dizer: não fazer um esforço inútil, persistir
no esforço até ao fim, e saber reconstruir uma orientação quando se verificou
que ela era, ou se tornou, errada.
Aproveitar oportunidades quer dizer não só não as perder,
mas também achá-las. Criar relações tem dois sentidos – um para a vida
material, outro para a vida mental. Na vida material, a expressão tem o seu
sentido directo. Na vida mental, significa criar cultura. A história não
regista um grande triunfador material isolado, nem um grande triunfador mental
inculto. Da simples “vontade” vivem só os pequenos comerciantes; da simples
“inspiração” vivem só os pequenos poetas. A lei é uma para todos.
Fernando Pessoa in Teoria e Prática do Comércio
domingo, 20 de janeiro de 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
Mário de Sá-carneiro, Além - Tédio
Nada me expira já, nada me vive -
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.
Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.
Outrora imaginei escalar os céus
À força de Ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.
Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!
Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.
E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios...
Mário de Sá-Carneiro, in Poesias Completas
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.
Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.
Outrora imaginei escalar os céus
À força de Ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.
Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!
Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.
E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios...
Mário de Sá-Carneiro, in Poesias Completas
sábado, 1 de dezembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
Mia Couto - O Poeta
O poeta não gosta de palavras:
escreve para se ver
livre delas.
A palavra
torna o poeta
pequeno e sem invenção.
Quando,
sobre o abismo da morte,
o poeta escreve terra,
na palavra ele se apaga
e suja a página de areia.
Quando escreve sangue
o poeta sangra
e a única veia que lhe dói
é aquela que ele não sente.
Com raiva,
o poeta inicia a escrita
como um rio desflorando o chão.
Cada palavra é um vidro em que se corta.
O poeta não quer escrever.
Apenas ser escrito.
Escrever, talvez,
apenas enquanto dorme.
Mia Couto
A palavra
torna o poeta
pequeno e sem invenção.
Quando,
sobre o abismo da morte,
o poeta escreve terra,
na palavra ele se apaga
e suja a página de areia.
Quando escreve sangue
o poeta sangra
e a única veia que lhe dói
é aquela que ele não sente.
Com raiva,
o poeta inicia a escrita
como um rio desflorando o chão.
Cada palavra é um vidro em que se corta.
O poeta não quer escrever.
Apenas ser escrito.
Escrever, talvez,
apenas enquanto dorme.
Mia Couto
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Agustina Bessa-Luís, 90.º aniversário
Neste
dia de aniversário de Agustina Bessa-Luís, e para o assinalar, escolhi um
excerto que vem ao encontro do que escrevi ou mencionei, no outro blogue, sobre
algum do jornalismo que nos é servido e que, pura e simplesmente, não levo a
sério.
«”Para o jornalista, tudo o que é
provável é verdade”. Trata-se dum axioma estupendo, como tudo o que Balzac
inventa. Reflectindo nele, nós percebemos quantas falsidades se explicam e
quantas arranhadelas na sensibilidade se resumem a fanfarronices e não a
conhecimento dos factos. Em geral, o pequeno jornalista é um profeta da imprensa
no que toca a banalidades, e um imprudente no que se refere a coisas sérias.
Quando Balzac refere que a crítica só serve para fazer viver o crítico, isto
estende-se a muitas outras tendências do jornalista: o folhetinista, que é o
que Camilo fazia nas gazetas do Porto (...). Eu própria não estou isenta duma
soma de articulismos, de recursos à blague, de graças adaptáveis, de
frequentação do lado mau da imaginação, de ridículos, de fastidiosos conselhos,
de discursos convencionais, de condenações fáceis, de birras imbecis, de poesia
de barbeiro, de elegâncias chatas, de canibalismo vulgar, de panfletismo “bom
cidadão”. Quando não sou nada disso, sou assunto para jornais, mas não sou
jornalista.»
Agustina Bessa-Luís, in Dicionário Imperfeito
Agustina Bessa-Luís, in Dicionário Imperfeito
domingo, 23 de setembro de 2012
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