quarta-feira, 2 de março de 2011

Vladimir Maiakóvski - "Despertar é preciso"


Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma flor do nosso jardim, e não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.


Vladimir Maiakóvski, "Despertar é preciso", (1893-1930)

3 comentários:

Manuela Freitas disse...

Olá Josefa,
Já conhecia este poema, que considero realmente excepcional!

«E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada».

Pode adiantar-se outra versão:

E porque temos a possibilidade de dizer, tudo que dizemos parece que não representa nada!

Beijo,
Manuela

Maria Josefa Paias disse...

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Olá Manuela,

Agora fez-me lembrar o texto que publiquei no outro blogue, de Brecht. A solução mais fácil não seria a dos governos elegerem o povo e não ao contrário? É que assim poderiam escolher um que fosse manso, calado, curvado, obediente, tudo o que nós não somos nem queremos ser. Até pode parecer que o que dizemos não representa nada, mas não nos calaremos. A não ser que nos cortassem a garganta, como no texto de MaiaKóvski, e aí já não podíamos dizer nada, seria demasiado tarde, estaríamos mortos. Então, não devemos ficar calados perante o que vai acontecendo, a nós e/ou a outros, e que mereça a nossa crítica ou o nosso repúdio.

Boa noite e beijinho.

vato disse...

Exelente ! no proximo sarau que se realizara no bixiga 15 /03 parti das 20 hs sarau suburbano convicto esse sera o peoma que irei declamar coneheço ele a alguns anos. parabens pelo blog!
@criadasruas.