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sábado, 21 de abril de 2012

Bertolt Brecht: Os tempos modernos


Os tempos modernos não começam de uma vez por todas.
Meu avô já vivia numa época nova.
Meu neto talvez ainda viva na antiga.

A carne nova come-se com velhos garfos.

Época nova não a fizeram os automóveis
Nem os tanques
Nem os aviões sobre os telhados
Nem os bombardeiros.

As novas antenas continuaram a difundir as velhas asneiras.
A sabedoria continuou a passar de boca em boca.


Bertolt Brecht, in Poemas, Editorial Presença, 1976, p. 79 (notas de Arnaldo Saraiva)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Bertolt Brecht - "Refresca-te, irmã..."

Refresca-te, irmã,
na água da pequena tigela de cobre
com pedacinhos de gelo,
abre os olhos sob a água, lava-os,
enxuga-te com a toalha áspera
e lança um olhar num livro que amas.
Começa assim
Um dia belo e útil.

Bertolt Brecht (1898-1956)

terça-feira, 1 de junho de 2010

Bertolt Brecht - "De que serve a bondade?"

1
De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?
.
De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?
.
De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?
.
2
Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor,
A faça supérflua!
.
Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!
.
Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!
.
Bertolt Brecht
.
De "Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas", tradução de Paulo Quintela