Começo a chorar do que não finjo porque me enamorei de caminhos por onde não fui e regressei sem ter nunca partido para o norte aceso no arremesso da esperança
Nessas noites em que de sombra me disfarcei e incitei os objectos na procura de outra cor encorajei-me a um luar sem pausa e vencendo o tempo que se fez tarde disse: o meu corpo começa aqui e apontei para nada porque me havia convertido ao sonho de ser igual aos que não são nunca iguais
Faltou-me viver onde estava mas ensinei-me a não estar completamente onde estive e a cidade dormindo em mim não me viu entrar na cidade que em mim despertava
Houve lágrimas que não matei porque me fiz de gestos que não prometi e na noite abrindo-se como toalha generosa servi-me do meu desassossego e assim me acrescentei aos que sendo toda a gente não foram nunca como toda a gente
4 comentários:
...e eu confesso-me enamorada deste poema, desta outra de escrever de Mia Couto.
:)
Olinda
...e eu confesso-me enamorada deste poema, desta outra de escrever de Mia Couto.
:)
Olinda
Obrigada, Olinda, e bom-fim-de-semana! :)
Um dia seremos de novo
crianças
para o mar despertar nos nossos olhos
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