domingo, 30 de janeiro de 2011

Fernando Pessoa/ Alberto Caeiro - "Falas de civilização, e de não dever ser..."

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as cousas humanas postas desta maneira.
Dizes que, se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que, se fossem como tu queres, seria melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as cousas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as cousas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos

6 comentários:

Manuela Freitas disse...

De facto sábias palavras, mas as pessoas estão sempre a pensar nessa máquina de fazer felicidade, vão-se entretendo, vão-se iludindo...não quero contrariar o «Mestre», mas ai das pessoas se também não fossem por aí!...
Um beijo,
Manuela

Maria Josefa Paias disse...

.
Manuela, lembrei-me deste por causa dos acontecimentos nos países do médio Oriente, cujos cidadãos exigem liberdade, justiça, democracia, e que ao longo de décadas, o Ocidente achou que sabia o que era melhor para eles e apoiou os respectivos ditadores. Aliás, ainda se continua a cair no erro de que a civilização ocidental tem de ser o modelo a seguir por outras civilizações, sem se ouvirem os cidadãos desses países e saber o que é que eles querem. Espero e desejo que agora seja diferente.

Esses cidadãos procuram a sua própria felicidade e não o que os outros acham que os fariam felizes.

Foi esta a minha intenção com esta publicação.

Obrigada e beijinho.

Mar Arável disse...

entretanto

pelo sonho é que vamos

Manuela Freitas disse...

Olá Josefa,

Realmente não cheguei ao que a Josefa queria dizer, agora considero que de facto nessa óptica está muito bem visto!
Beijo,
Manuela

partilha de silêncios disse...

Sábias palavras ! Sempre achamos que sabemos o que é melhor para os outros.

um beijinho

Maria Josefa Paias disse...

.
Obrigada, "Mar Arável", Manuela e "partilha de silêncios".
Esta minha mania de publicar textos ou poemas sem uma introdução com aquilo que me vai na cabeça, pode levar a interpretações diversas, mas isso também acaba por me enriquecer uma vez que me permite saber as leituras que cada um faz :)

Obrigada e beijinhos.