sábado, 17 de setembro de 2011

Mia Couto - "Ânsia"


Não me deixem tranquilo
não me guardem sossego
eu quero a ânsia da onda
o eterno rebentar da espuma

As horas são-me escassas:
dai-me o tempo
ainda que o não mereça
que eu quero
ter outra vez
idades que nunca tive
para ser sempre
eu e a vida
nesta dança desencontrada
como se de corpos
tivéssemos trocado
para morrer vivendo
Mia Couto, em Raiz de orvalho e outros poemas, Caminho, 2009

2 comentários:

BRANCAMAR disse...

Notável, sempre Mia Couto!
Nâo tenho palavras para o descrever, quer cmo escritor, quer como cidadão e ser humano!

Pode ver este momento imoressionante dele numa conferência no Estoril:

http://www.youtube.com/watch?v=jACccaTogxE&feature=youtu.be

Beijos

Maria Josefa Paias disse...

.
Muito obrigada, "BRANCAMAR". Vou publicar o vídeo no FB, onde também foi manifestado apreço por este poema de Mia Couto.

Beijos